Introdução
/ 01 — 2024
Pesquisa, instalação
& performance
Um projeto sobre os efeitos visuais da psilocibina e seu poder terapêutico — neuroestímulos de luz, som e aroma compondo um estado alterado de consciência com finalidade terapêutica.
© 2024
Texto da artista

Um projeto sobre os efeitos visuais da psilocibina e seu poder terapêutico. A psilocibina é um alcaloide encontrado em fungos do gênero Psilocybe sp. that mimics the effects of serotonin, and occurs in the attainment of altered states of consciousness in the search for the divine and self-knowledge.
Espiritualistas e cientistas vêm estudando, na psilocibina, uma experiência das regiões mais profundas da psique, jamais alcançadas em estados ordinários de consciência. Estudos promissores apontam seu potencial terapêutico no tratamento da depressão refratária e de outros transtornos da mente, e revelam uma estreita relação com a neurofarmacologia convencional — a psilocibina é capaz de produzir alterações na condução nervosa, abrindo um espectro de possibilidades na psicoterapia assistida por psicodélicos. O que antes era apenas espiritualidade hoje se alia à ciência.
Os efeitos visuais incluem profundas alterações perceptivo-cognitivas: alucinações visuais e sensoriais, distorções auditivas, sinestesia, bem-estar e morte do ego. Este projeto sugere que podemos ampliar os estudos cognitivos da psilocibina reproduzindo esses efeitos visuais e criando neuroestímulos visuais, sensoriais e auditivos com base em estudos aplicados, que propõem uma alteração da consciência com finalidade terapêutica.
2022 — presente
O projeto surgiu de uma autoexperimentação, como paciente — autista e altamente qualificada —, utilizando diferentes tipos de cogumelos mágicos em diferentes quantidades. Durante esses experimentos, registrei minhas reações e criei um diário à medida que o processo avançava: pinturas, vídeos de making-of e os diários em três idiomas (português, espanhol e inglês).
Ouvir — Diário da Psilocibina, página 1

Experimento
Uma imersão completa em todos os sentidos, induzindo uma alternância da consciência — um ambiente acolhedor de expansão espiritual e criativa. A imersão abrange gases e aromas, som, vibrações, luz, mapeamento e imagens, comidas e bebidas, valendo-se de conhecimentos avançados de neurociência e psicologia sensorial.
Quando ingerida, a psilocibina é convertida no organismo em psilocina, que atua principalmente nos receptores de serotonina (5-HT2A) do cérebro. Esse mecanismo é responsável por suas propriedades alucinógenas, alterando a percepção sensorial, cognitiva e emocional. A psilocina aumenta a conectividade neural, permitindo a comunicação entre regiões do cérebro que normalmente não interagem de forma tão intensa.
Sabe-se que a psilocibina diminui a atividade na Rede de Modo Padrão (DMN), uma rede cerebral associada ao ego, à introspecção e à autorreferência. Essa redução pode levar a uma sensação de dissolução do ego, promovendo maior conexão com o ambiente e uma perspectiva ampliada sobre a própria existência.
A estimulação multissensorial — a combinação de luzes, sons e aromas — pode influenciar a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar por meio da formação de novas conexões neurais. A imersão terapêutica proposta busca reproduzir, de forma segura e controlada, os efeitos sensoriais e emocionais da psilocibina sem o uso da substância.
Performance

Por se tratar de uma pesquisa e de um experimento em que todos os sentidos devem ser mobilizados, cria-se uma atmosfera acolhedora para uma performance, na qual os pratos são elaborados a partir de figuras da história da psilocibina e de suas simbologias. A dimensão visual da performance remete à alquimia, à floresta e ao laboratório de química.








Circuito SP-Arte
O primeiro experimento público foi realizado durante o circuito de ateliês da SP-Arte no centro de São Paulo, quando meu ateliê, Mice, estava aberto ao público. Mergulhei em uma das salas com a colaboração de VJ Spetto, que criou o mapeamento do espaço, de Celio Barros e seu selo independente PMC — Produção de Música Contemporânea, sediado na Noruega, e do artista de 3D e motion Guilherme Todorov, integrante do coletivo Mutualism, que atua entre São Paulo e Berlim.
Nessa sala, coloquei uma máquina de gás com glicerina líquida e essência de lavanda, isufilm no chão, papel amassado sobre o fundo preto e diversos tecidos de diferentes cores e texturas.







De modo geral, nada parece estático — até os objetos fixos parecem dançar ou respirar. As formas se transformam suavemente umas nas outras e se fundem como se o olho estivesse dentro de um sonho líquido. A percepção visual sob o efeito da psilocibina regride a estados mais primitivos da visualidade: áreas dos lobos occipital e parietal, que normalmente filtram e interpretam o mundo, ficam mais abertas ao fluxo bruto de informação — daí as formas intensas, mutáveis e carregadas de símbolos.
Som
Celio Barros · Hifa Cybe
Uma progressão não cadenciada de quatro notas (vozes), que variam sempre em um semitom, uma de cada vez. O arquivo é duplicado e ambos apresentam uma oscilação lenta de altura em ciclos diferentes. Cada sintetizador soa em uma faixa de áudio (direita/esquerda). A mixagem final tem um compressor/expansor Eventide (Omnipressor) após o phaser estéreo, de modo que a compressão realça pequenas distorções e harmônicos resultantes do phaser.
Filmes generativos
Protótipo






